Quando o azul se torna uma cor quente
Hey, sonhadores!
Desculpem-me pela demora, mas mês passado foi tão corrido que não tive tempo nem energia para escrever o post. Mesmo com semanas de atraso, não poderia deixar passar em branco o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ (28/06). 🌈🏳️🌈 Para refletirmos a importância dessa data, escolhi recomendar a graphic novel Azul é a cor mais quente, de Julie Maroh, publicada pela Martins Fontes — classificação indicativa: 18 anos.
A HQ
começa com Emma lendo a carta de despedida de Clémentine, afirmando o quanto é
imensamente grata por Emma ter sido uma parte fundamental em sua vida. De presente,
Emma ganha os diários de Clémentine, e através deles sabemos mais sobre as duas.
No
diário, há as lembranças de Clém desde a adolescência. Valentin é o amigo que percebe
a orientação sexual da amiga antes de ela se entender. Clém, antes de assimilar
tudo, sofre homofobia dos amigos na escola — Valentin é o único que permanece
ao seu lado. Ademais, é ele quem lhe explica que não existe uma única forma de
amar.
Processar todos esses acontecimentos faz com que ela se tranque em casa por dois motivos: (i) o vazio que sente pelo abandono dos amigos e (ii) o medo de perder o telefonema de Emma — a menina de cabelos e olhos azuis que conheceu em um bar. Para mim, essa parte funciona como uma alegoria da aflição de Clém: o medo de assumir quem é e se sentir sozinha no mundo (abandonada e excluída) ao mesmo tempo que nutre a esperança de ter alguém que a compreenda e que permaneça a seu lado.
A HQ
explicita as angústias de uma adolescente em entender, processar e assumir a sua
orientação sexual, principalmente em uma sociedade que, por mais avançada
científica e tecnologicamente seja, ainda é preconceituosa, defendendo a
heteronormatividade como única e válida existência (principalmente nos últimos
anos). Também evidencia que a maior violência de homofobia não é na rua, mas
dentro de casa (pais que veem seu filho LGBTQIA+ como uma degradação) — a não aceitação dos pais pode deixar um imenso vazio.
Recomendo
que leiam Azul é a cor mais quente. É uma graphic novel que se lê em uma sentada,
mas que proporciona muitas reflexões. Se já leram essa obra ou desejam me
recomendar outras da mesma temática, comentem para trocarmos ideia. Um abraço e
até o próximo post! o/
Referência:
MAROH,
Julie. Azul é a cor mais quente. Tradução: Marcelo Mori. São Paulo:
Martins Fontes, 2013.
“As minhas lembranças
[são] coloridas de azul.”
💙



Comentários
Postar um comentário