O amor e sua ação transformadora
Hey, sonhadores!
O post de hoje é sobre uma das melhores leituras que fiz ano passado: tudo sobre o
amor: novas perspectivas, de bell hooks, publicado
pela Elefante.
Como o título informa, o amor é o centro da obra, mas não apenas o amor
romântico. O amor deve ser apreendido em sua totalidade: consigo mesmo, com a família, com os amigos, com a comunidade, com o espiritual e o romântico.
Vivemos
em uma sociedade em que é mais fácil falar da perda, da dor e da falta de amor do
que da sua presença. Todos nós queremos encontrar o amor (o que significa amar
e ser amado na prática, no dia a dia), mas é necessário “mudanças profundas na
forma como pensamos e agimos” para “criar uma cultura baseado no amor” (p. 39).
Por isso, esse livro nos apresenta novas perspectivas sobre o amor e sua ação
transformadora.
O primeiro empecilho para vivenciarmos o amor é a sua falta de definição clara, pois a maioria tem dificuldade em defini-lo. hooks destrincha o amor como uma ação:
para
amar verdadeiramente, devemos aprender a misturar vários ingredientes — carinho,
afeição, reconhecimento, respeito, compromisso e confiança, assim como
honestidade e comunicação aberta. Aprender definições falhas de amor quando
somos bem jovens torna difícil sermos amorosos quando amadurecemos (p. 47).
Aborda também que, na
família nuclear, o cuidado (confundido por amor) coexiste com o abuso e/ou a
negligência. Que um lar disfuncional não anula a existência de afeição, prazer
e cuidado, por isso, muitas vezes, é difícil perceber a disfunção emocional no
relacionamento familiar e, posteriormente, no relacionamento amoroso.
Para transformar a falta de amor, é preciso reaprender o significado do amor e, a partir daí, aprender a sermos amorosos. Em outras palavras, desapegarmos de padrões de comportamentos aprendidos que anulam a capacidade de dar e receber amor. Como ela afirma,
começar
por sempre pensar no amor como ação, em vez de um sentimento, é uma forma de
fazer com que qualquer um que use a palavra dessa maneira automaticamente
assuma responsabilidade e comprometimento. (...) Quando amamos, expressamos
cuidado, afeição, responsabilidade, respeito, compromisso e confiança (p. 55).
Ademais, o amor-próprio e a sua construção são importantíssimos e devem ser tratados como um compromisso que cada um tem que ter consigo mesmo. Não confundamos amor-próprio com egoísmo, pois o
amor-próprio
é a base de nossa prática amorosa. Sem ele, nossos outros esforços amorosos
falham. Ao dar amor a nós mesmos, concedemos ao nosso ser interior a
oportunidade de ter o amor incondicional que talvez tenhamos sempre desejado
receber de outra pessoa. (...) Podemos nos dar o amor incondicional que é o
fundamento para a aceitação e a afirmação sustentadas. Quando nos damos esse
presente precioso, somos capazes de alcançar os outros a partir de um lugar de
satisfação, e não de falta (p. 106-107).
As
dimensões do amor é a combinação de afeição — compromisso — confiança
— conhecimento — cuidado — respeito — responsabilidade.
Dessa maneira, vivenciamos a ética amorosa. hooks nos convida a abraçar a ética
amorosa, ou seja, colocar em prática as dimensões do amor em todas as áreas da
nossa vida. Adotar a ética amorosa exige coragem para enfrentar nossos medos e para
nos permitir que ela governe e oriente o modo como pensamos e agimos. Assim, a
conexão substitui o desejo de dominar e possuir e, consecutivamente, aceitamos
o eu e o outro como são.
De mais a mais, a prática amorosa também requer honestidade e comunicação aberta. O fundamento da intimidade
e das conexões verdadeiras exige honestidade consigo mesmo e com o outro. Para
tal, conversar é a única forma de man-termos um relacionamento (qualquer que
seja). Ela explicita: “ter uma conversa com escuta compassiva melhora a
comunicação e a conexão. Quando estamos comprometidos em fazer o trabalho do
amor, nós escutamos até quando nos dói” (p. 190). É bom pontuar que a prática amorosa não anula os problemas, mas nos ajuda em como resolvê-los. Por isso, hooks ressalta que o
Este
post tem breves pontos fundamentais da obra sem explicitá-la demais. Não
abordei todos os temas que bell hooks esmiuça, mas os que aqui foram evidenciados
dão uma ideia do quão importante é ler essa obra atualmente. Recomendo que leiam
tudo
sobre o amor: novas perspectivas não só para que tenham suas
próprias assimilações mas também para que assumamos o compromisso de colocarmos
em prática as dimensões do amor e a ética amorosa em nossa vida e nos que estão ao
nosso redor. Já leram esse livro ou algum outro de bell hooks? Comentem para trocarmos ideia.
“É a prática do amor
que transforma.”
💜

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